QUAIS MUDANÇAS E HÁBITOS DEVEM FICAR NO PÓS-PANDEMIA?

Que atire a primeira pedra virtual quem não esperou – mesmo que no fundo do inconsciente –
que a pandemia acabasse com a virada do calendário de 2020 para 2021. Mesmo sabendo que
passagens de ano não promovem milagres, todos desejavam que a vida finalmente voltasse
aos padrões da normalidade. Agora, praticamente na metade do ano, vemos que ainda há um
longo caminho a ser percorrido na batalha contra a Covid e que, definitivamente, após a crise
pandêmica não seremos mais os mesmos.

Mas, afinal, o que podemos esperar do período pós-pandemia? O que mudou até agora? Que
hábitos serão mantidos? E na Limpeza Profissional, o que fica de aprendizado? A revista
Higiplus convidou membros de cada uma das Câmaras Setoriais da Abralimp para dar sua
opinião, compartilhar percepções e trazer para os holofotes o que pensam sobre a nova
realidade que teremos pela frente.

Desinfecção de verdade

“A pandemia está sendo um divisor de águas para a humanidade no sentido de proteção à
vida. E no campo químico, mais especificamente na área de desinfecção de superfícies, este
divisor está trazendo muitos desafios e oportunidades. Em outras palavras, a pandemia está
mostrando a diferença entre uma simples limpeza e uma verdadeira desinfecção.

As superfícies antes consideradas ‘inofensivas’, como o botão do elevador, a maçaneta, o
corrimão, têm se mostrado potenciais fontes de contaminação. E nunca mais frequentaremos
o cinema, um consultório médico ou odontológico, shoppings e praças de alimentação,
escolas, transportes públicos, hospitais, aeroportos ou quaisquer outros estabelecimentos sem
antes nos questionarmos se aquele ambiente recebeu uma desinfecção adequada.

Esse é o ‘legado’ da pandemia: atenção e autocuidado, não só na nossa vida pessoal, mas
também nos locais que frequentamos, e as oportunidades para a indústria química, com mais
apelo tecnológico e praticidade de utilização para os mais diversos tipos de consumidores”.
Marcelo Rocha, membro da Câmara de Químicos.

Higienização profissional será hábito

“O mundo mudou, nada mais será igual, e isso se refletirá muito dentro do nosso segmento.

Olhando para o mercado, realmente houve um crescimento importante na busca por novos
métodos de limpeza, equipamentos e acessórios em geral. Infelizmente, nossa cultura ainda
está engatinhando em relação à Limpeza Profissional, mas a pandemia trouxe sim uma
demanda para realmente mudar a visão sobre esse assunto.

Setores públicos terão que caminhar juntamente com as empresas na busca por aprimorar as
questões relacionadas à Limpeza. A venda de equipamentos como baldes espremedores com
divisão de água, mops, carros, e acessórios em geral, como panos TNT, vassouras e rodos, será
mais do que duradouro, bem como a segmentação por ambientes devido ao momento que
estamos vivendo. Tudo isso certamente continuará por muitos anos.

Produtos com tecnologia antiviral e bactericida já estão chegando ao mercado, e também
serão um grande diferencial dentro do nosso segmento. Na verdade, esse mundo pós-
pandemia só nos leva a uma direção: que cada vez mais a higienização profissional se tornará
um hábito, até chegar em nossas casas”. Bruno Esteves Martins, membro da Câmara de
Equipamentos, Dosadores e Acessórios.

Limpeza + saúde = veio para ficar


“Antes da pandemia, a preocupação com o ‘limpar’ já existia, mas vinha muito mais das
empresas tomadoras de serviços. Da parte dos usuários, essa preocupação só ocorria quando
era possível enxergar uma sujidade, ou seja: a limpeza só era notada quando faltava.

Hoje, o usuário se preocupa muito mais com o que não consegue enxergar. Ele quer saber e
sentir que o ambiente está devidamente higienizado e com o produto correto. Ele tem
buscado informações e está muito mais ativo.

Na cadeia de distribuição, vimos o perfil dos vendedores se alterar, tendo que ficar ainda mais
completo e técnico, além de também desenvolver o portfólio de produtos para atender às
novas demandas.

É impossível negar que a ‘cobrança’ por limpeza profissionalizada e correta veio para ficar.
Inegável também é a participação da ABRALIMP durante todo este processo, com a
disseminação de conteúdo por meio de cursos, cartilhas e manuais. Certamente a correta
relação entre limpeza e saúde irá perdurar por muito tempo”. Rafael Galea, membro da
Câmara de Distribuidores.

Mais eficiência e redução de custos

“Falando de forma prática, percebemos que o que mudou do começo da pandemia até agora
foi o aumento das vendas de máquinas e acessórios, em específico a partir do segundo
semestre de 2020.

A mecanização dos serviços de limpeza com vias a agilizar processos, certamente é um hábito
que veio para ficar, uma vez que possibilita maior produtividade e eficiência, além de reduzir
custos e tempo de trabalho.

Não tenho dúvidas de que o que podemos esperar do pós-pandemia será uma maior atenção
às questões trabalhistas, em especial as que envolvem a insalubridade dos funcionários. Além
disso, todos os recursos que cooperarem para ganhos de eficiência e redução de custos de
manutenção, atrelados à durabilidade dos itens, terão boa aceitação no mercado, pois a
frequência do uso dos equipamentos aumentou e tenderá a se manter”. André de Melo
Siqueira, membro da Câmara de Máquinas.

Exigência e qualidade dos serviços

“Do ponto de vista dos prestadores de serviços, em alguns aspectos a demanda por limpeza
reduziu, uma vez que muitos ambientes empresariais foram substituídos pela modalidade
home office, bem como shoppings e outros estabelecimentos foram fechados. Mas essa
redução de demanda não significa que a limpeza foi deixada de lado, pelo contrário: o que
ocorreu foi um grande aumento na exigência da qualidade dos serviços.

Quanto aos hábitos que considero um bom legado, o cuidado com a higiene pessoal é o mais
importante. A difusão da importância de lavar as mãos, o cuidado ao espirrar e a preocupação
com o próximo serão mais percebidos entre a população, além da limpeza dos ambientes, que
continuará naturalmente tendo grande importância.

Para o futuro próximo, acredito que continuaremos sentindo o crescimento da cobrança por
maior qualidade, por tecnologia, novidades nos processos de limpeza e maior produtividade.
Com o passar dos anos, a maior circulação de pessoas levará a um crescimento da demanda
pela limpeza como um todo. Teremos mais oportunidades”. Bruno Galvão Caldas, membro da
Câmara de Prestadores de Serviços.

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.

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